Cravo e Canela

sabor da vida de uma Gabriela

Pés cansados de tanto caminhar 23 de Abril de 2010

Filed under: Coisas da vida,Reflexões — Cravo e Canela @ 3:04
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” Fiz mais do que posso, Vi mais do que aguento…

Esforço, calma, paciência, tolerância, espera…
Será que vale a pena continuar? O cansaço não me permite responder a tal questão.
Já ultrapassei barreiras, já pulei muros e também já caí em grandes buracos prestes a jogar-me ao abismo.
Lutei contra muita gente, pensamentos, situações. Fugi de problemas, de perturbações, da tristeza.
Dei-me conta de que era possível viver sozinha neste mundo só meu, onde me perco com os meus sonhos, as minhas ideias, deliberações, valores e ideais. O sol sorri, e faz com que me sinta no paraíso.
Quero brincar, saltar, cantar e rebolar num jardim cheio de flores, como uma criança pura num meio onde reina a paz e a alegria, onde a vida é um arco-íris. Voltar a ser aquela menina ingénua, adorável, amada por muitos, a alegria das pessoas, o orgulho dos pais.
Menina que acreditava em tudo o que lhe diziam, que não via maldade nas coisas, que só sabia sorrir, que adorava abraçar tudo e todos. Uma menina que se divertia muito mais a brincar no meio da natureza do que com bonecos de plásticos. Que adorava mexer em terra molhada, de trepar as árvores e comer a fruta que estas proporcionavam.
A menina que era levada para a cama pela mão de sua mãe com o intuito de dar fim a mais um dia. Mãe essa, que lhe contava histórias, cantava e dava ao seu pequeno rebento um terno beijo na face. A menina que tinha como seu melhor amigo o anjinho da guarda, aquele que ela acreditava morar debaixo da sua cama.
Aquela menina que não precisava dos outros para se divertir. Aquela menina que todos diziam ser um anjinho com uma estrelinha dentro dela. A menina que se divertia a colher conchinhas de todos os tipos à beira do mar e que pelo caminho fazia sempre uma nova amizade, embora de poucas horas, pois nunca mais se voltavam a ver.
Essa menina que sempre viveu no seu mundinho super feliz, embora tivesse bastante amiguinhos na escola, mas não era a mesma coisa.
A menina inocente foi crescendo pouco-a-pouco e foi-se deparando com uma realidade que não a sua. Foi obrigada a ver que o país das maravilhas não existia realmente.
Como se não bastasse, foi obrigada a amadurecer antes do tempo, pois aquando do seus 13 anos deparou-se com a tal palavra que lhe causava arrepios: a morte.
Teve e tem de aprender a lidar com ela. Por muito que custe é uma realidade que nunca mais será esquecida.
Tenta abstrair-se desse seu mundinho perfeito que se tornou um inferno.
Para atingir esse fim, começa a tentar abstrair-se mais com os amigos. Entra em loucuras nunca anteriormente feitas, experimenta coisas que eram contra os seus valores e contra a educação que lhe foi dada. Esquece a vida pacata que sempre teve e começa a viver algo que não é seu. Transforma-se!
Essa transformação dá-se numa caminhada bastante comprida. Olhando algumas vezes para trás, ganha coragem para continuar.
Fiz mais do que era suposto fazer, passei por mais que era suposto passar, vivi mais do que era suporto viver, sofri mais do que era suposto sofrer, pensei mais do que era suposto pensar, falei mais do que era suposto falar, chorei mais do que era suposto chorar, vi mais do que era suposto ver, e cheguei mesmo à conclusão que te amei mais do que era suposto amar. Dá-me um sinal pois estou sem saber onde vou parar por ti.
Será que devo parar e esperar, ou esquecer e continuar? “Tenho os pés cansados de tanto caminhar”

 

 
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